Como usá-los
As duas razões, ou o ministério vira funil
O capítulo 2 dá duas razões pelas quais esta oração importa, e uma turma costuma
se acender com a segunda — o caminho que se abre para o acompanhamento — e esquecer
a primeira. Esse esquecimento não tem cara de problema. Tem cara de animação, e
por isso passa despercebido.
Pense de antemão no que você diria a quem afirma que a segunda razão é a que vale.
Uma resposta sincera, pensada em casa, serve melhor que uma frase de efeito.
O mesmo desvio reaparece no capítulo 4, agora como pressa: a vontade de que o
contato seguinte venha mais cedo ou leve mais coisa junto. É justamente esse
impulso que faz uma equipe de oração virar máquina de captação. E deixe claro já
no capítulo 1 que perguntar pelo que orar não é uma forma disfarçada de evangelizar
— em muitas comunidades, é simplesmente a pergunta mais honesta disponível.
Compaixão que pioraria as coisas
O impulso mais forte da aula, e o mais perigoso, é o de fazer alguma coisa:
localizar quem escreveu, ajudar com dinheiro, telefonar, mandar alguém bater na
porta.
Receba esse impulso com carinho toda vez que surgir, e peça que ele espere. A
resposta a ele está nos capítulos 7 e 8; antes disso, agir pode deixar quem pediu
numa situação concretamente pior. Tenha pensado no que dizer se alguém confessar
que já foi atrás de alguma informação.
Duas conversas para depois da sessão
Vai aparecer quem ficou mexido com algo que leu, e quem já recebeu um pedido de
crise e segurou tudo sem ajuda. Nenhuma das duas situações deve ser tratada diante
do grupo.
Conte com elas, separe um tempo no fim, e diga com todas as letras que não saber
quem escreveu não deixa o que foi escrito mais leve.
Sinceridade acima de estilo
O capítulo 5 leva quarenta minutos e é a sessão mais longa do livro. Duas coisas
estragam o que ela produz.
A primeira é o jargão que ninguém na sala estranha mais — expressões que só fazem
sentido para quem cresceu dentro de uma igreja, e que deixam um leitor de fora sem
entender nada. A segunda é o grupo que começa a burilar frases: uma oração bonita
que se afasta do que a pessoa pediu vale menos que uma oração simples que acerta.
No capítulo 6, as regras não podem soar como vigilância. Diga, para cada uma, a
quem ela serve — todas existem para proteger quem escreveu. Se alguém com muitos
pedidos defender o texto padronizado, a resposta é de quantidade: poucos pedidos
bem orados valem mais que muitos despachados.
Escalar é saber o que fazer
Diga isso cedo no capítulo 8, porque quem enxerga a escalada como sinal de
fraqueza vai evitá-la justamente na hora em que ela é necessária.
Este é o capítulo que mais depende das suas respostas concretas. Se você não
souber dizer para onde vai uma escalada e em quanto tempo alguém age, a turma vai
concluir, com razão, que o processo só existe no papel.
Deixe o desânimo aparecer
No capítulo 9 há uma parte sobre nunca ficar sabendo o resultado, e a reação
sincera a ela é desânimo. Dê espaço a isso em vez de consertar, e deixe o texto
bíblico fazer o trabalho. Muitas vezes é a mesma pessoa que já tinha murchado no
capítulo 2; guarde o nome dela, porque o capítulo 9 foi pensado para ela.
Depois torne o convite concreto. Uma turma é capaz de dizer que “sempre cabe mais
gente” e achar que isso é convidar. Peça que cada um ensaie em voz alta a versão
específica, com um pedido real ainda sem oração nas mãos, e combine antes como vai
anotar os compromissos e quando vai voltar a falar com cada pessoa.
Como usar os dois livros
O caderno de exercícios é do participante: uma introdução curta, as perguntas e
o espaço para escrever. Imprima frente e verso para um fichário.
O livro do líder é este, mais o ensino completo e a camada do facilitador — o
tempo de cada capítulo, o que preparar e com o que tomar cuidado. Mantenha-o aberto
diante de você durante a sessão. Ele traz respostas e anotações que não estão no
caderno do participante, então entregue o caderno, nunca este.