Capa: Como escolher e montar planos de estudo bíblico — uma Bíblia aberta no parapeito de uma janela, à luz do dia.

Biblioteca de aprendizagem

Como escolher e montar planos de estudo bíblico

Como escolher um plano de estudo bíblico comprovado — ou montar o seu para uma pessoa ou um grupo de verdade — para um Estudo de Descobrimento da Bíblia. Supõe que você já conhece o ciclo do EDB.

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Num Estudo de Descobrimento da Bíblia quem conduz nunca ensina — então as passagens que você escolhe são o único lugar onde mora a direção do grupo. Essa responsabilidade trava muita gente antes mesmo de começar: “E se eu escolher as passagens erradas?” Esta aula tira esse medo do caminho.

No fim você vai conseguir:

  • Explicar por que é a lista de passagens — e não o facilitador — que carrega a direção de um grupo.
  • Nomear as listas prontas e comprovadas e casar cada uma com a pessoa certa.
  • Aplicar as quatro regras para montar uma lista: público primeiro · curta e em forma de história · uma sequência rumo a Jesus · dá para terminar.
  • Montar uma lista de verdade, de 3 a 8 passagens, para uma pessoa ou um grupo específico, e testá-la.
  • Sair com um compromisso com data para começar ou terminar uma lista.

Esta aula supõe que você já conhece o ciclo do EDB (comer → digerir → crescer, as quatro perguntas). Se ainda não conhece, comece primeiro por Como fazer um Estudo de Descobrimento da Bíblia. Faça um capítulo curto de cada vez; o último capítulo guarda as quatro regras e a tabela das listas comprovadas num lugar só para você.

Capítulos

  1. Comece aqui: é a lista que carrega o grupoO que esta série cobre, e por que a escolha das passagens carrega o grupo.
  2. A lista é a doutrinaComo o facilitador nunca ensina, a lista de passagens *é* a teologia do grupo.
  3. Como Jesus e Filipe escolheramDois exemplos bíblicos — comece onde a pessoa está e avance rumo a Jesus.
  4. Pegue emprestado antes de construirUm passeio pelas listas prontas e a única pergunta que decide entre elas.
  5. Comece sempre pelo filho pródigoA única passagem de entrada confiável — e por que ela funciona com quase qualquer pessoa.
  6. Regras 1 e 2: público primeiro, mantenha curtoDecida o público antes de tudo, e mantenha as passagens curtas e em forma de história.
  7. Regras 3 e 4: rumo a Jesus, e dá para terminarOrdene a sequência rumo a Jesus, e garanta que cada estudo dá para terminar numa sentada só.
  8. Monte a sua lista — agora mesmoSaia de assistir para fazer — monte uma lista de verdade para uma pessoa de verdade, e depois teste.
  9. Você não precisa de uma lista perfeitaLivre do perfeccionismo — o poder está na Palavra; Deus dá o crescimento.
  10. Seu compromisso: uma pessoa e um diaTransforme o que você aprendeu num compromisso com data — e num resumo para guardar.

Conduzindo esta aula

Para líderes

Como usá-los

Uma pessoa com nome, antes de qualquer regra

A turma vai querer as regras logo de cara. Elas moram nos capítulos 6 e 7, e sem alguém concreto em mente não levam a nada — o que, no fundo, já é a primeira regra se adiantando.

Então segure firme na primeira sessão e consiga uma pessoa. Com uma categoria ninguém se senta para ler a Bíblia; com a Dona Marta, do lado, sim. Categoria gera lista com cara de categoria, e o livro inteiro para de funcionar.

Chegue com a sua própria pessoa já escolhida e com o seu próprio bloqueio pronto para ser contado. Se você se apresentar como alguém que já domina o assunto, a sala vai escrever medos de fachada.

Responda à ansiedade antes da hora

“A lista é a doutrina” é uma frase verdadeira e pesada, e mais ou menos metade de qualquer sala a escuta como ameaça: agora qualquer erro na ordem parece grave.

A leitura certa é a oposta. É por causa dela que gente comum, sem formação teológica, consegue conduzir um grupo. Diga isso assim que a frase cair. E quando alguém tirar a conclusão de que precisa acertar tudo de primeira, avise que o capítulo 9 trata disso — não deixe a pessoa carregar esse peso por semanas.

O ponto de partida é o do outro, não o seu

No capítulo 3 o tropeço mais frequente é o facilitador começar pelo texto de que ele gosta. Gente com formação tende a abrir numa epístola; um buscador quase nunca consegue entrar por ali.

O mesmo tropeço aparece disfarçado de destino: um assunto no lugar de um lugar. Toda vez, peça uma frase sobre Jesus e sobre aquela pessoa, e não um tema de pregação.

E quando o filho pródigo parecer gasto para alguém, investigue gasto para quem. Na grande maioria das vezes, para quem conduz — não para quem vai ouvir.

Pegar emprestado é o caminho normal

Montar do zero por vaidade é um risco real, e a saída não é discutir com a vaidade: é tratar o empréstimo como o caminho comum, aquele que gente com anos de estrada continua escolhendo.

E não deixe ninguém escolher uma lista pela capa. O que ela abre na primeira noite pesa mais do que o nome impresso em cima.

O que o relógio não pode levar

O capítulo 7 coloca a turma diante do relógio, e sob pressão duas coisas somem.

A primeira é o destino: uma sequência simpática que nunca diz quem Jesus é deixa o grupo satisfeito e perdido. A segunda é o compromisso do fim da noite — o “eu vou…” e o “para quem vou contar”. Se algo precisa sair, sai uma passagem, nunca a obediência.

No capítulo 6, a resistência vem de quem tem mais formação, e ela gira em torno do tamanho dos textos. Não gaste tempo defendendo textos curtos em abstrato; faça você mesmo o teste do reconto com um texto longo que ama, na frente de todos, e deixe a sala ver você se perder.

Silêncio no capítulo 8, datas no capítulo 10

A sessão do capítulo 8 é de escrita calada. Esses minutos de papel e caneta são o que o livro inteiro existe para produzir, e o seu papel ali é tirar dúvidas, não dar aula. Se a sala virar conversa, todos voltam para casa de mãos vazias.

A vontade de deixar tudo impecável costuma aparecer antes do capítulo que trata dela — lembre que pouco no papel vence muito na imaginação. No encerramento, tenha em mãos o histórico de compromissos, cada um com sua pessoa e seu dia, a começar pelos do capítulo 5. Um fim afetuoso e sem compromissos não cumpriu o objetivo.

Quando alguém apresentar uma necessidade prática que é, na verdade, receio, não invente um consolo novo: devolva a pessoa ao capítulo 9, que ela já trabalhou.

Como usar os dois livros

O caderno é do participante: uma introdução curta, as perguntas e o espaço para escrever. Imprima frente e verso para uma pasta.

O livro do facilitador é este, com o ensino completo e a camada de quem conduz — tempo de cada capítulo, o que preparar e com o que tomar cuidado. Deixe-o aberto na sua frente durante a sessão. Ele traz respostas e anotações que não estão no caderno do participante, então entregue o caderno, nunca este.

Esta aula

10 capítulos

Como escolher um plano de estudo bíblico comprovado — ou montar o seu para uma pessoa ou um grupo de verdade — para um Estudo de Descobrimento da Bíblia. Supõe que você já conhece o ciclo do EDB.

Tempo necessário

Por sessão
De 25 a 45 minutos por capítulo
No total
Dez sessões; o capítulo 8 pede a mais longa

Antes de conduzir

Traga três coisas que só se consegue tendo feito isto antes: uma sequência que você realmente usou e da qual pode dizer, com honestidade, o que ela ensinou, inclusive o que você não pretendia; uma lista sua que estava errada e funcionou mesmo assim, com a passagem exata que foi o erro; e um estudo real que você cronometrou no mês passado. Traga o número mesmo que ele constranja você. Leia também as três primeiras passagens de cada lista comprovada que você pretende recomendar — quem indica uma lista que nunca abriu é pego na primeira pergunta.

O que levar

  • Um caderno impresso para cada participante
  • As listas comprovadas, impressas, para os capítulos 4 e 8