Recomeçando a minha fé · 4 de 7

O Pai correndo

Como Deus realmente é com quem está voltando para casa. Ele estava de olho na estrada.

A maioria das pessoas que voltam para Deus carrega uma imagem dele na cabeça, e essa imagem molda tudo no jeito como elas se aproximam. Para muita gente, a imagem é mais ou menos esta: um pai decepcionado, de braços cruzados, parado no portão, esperando a explicação. Você chega devagar. Fala o que tem para falar. Ele decide.

Jesus pinta um quadro completamente diferente, e pinta de propósito.

Leia devagar

Escritura — Lucas 15:20 (OTB)

Então ele se levantou e foi para seu pai. Mas, quando ainda estava longe, seu pai o viu e foi tomado de compaixão; correu até seu filho, abraçou-o e beijou-o.

Pegue o versículo pedaço por pedaço.

“Quando ainda estava longe.” O filho ainda não chegou. Ainda não disse nada. É só um vulto na estrada, lá longe.

“Seu pai o viu.” O que significa que o pai estava olhando. Ninguém enxerga alguém lá longe por acaso. Ele estava de olho na estrada. Há quanto tempo, a história não diz. Tempo suficiente. Como aquela mãe que continua orando todo dia pelo filho que saiu da igreja, e que olha o celular cada vez que ele aparece on-line.

“Foi tomado de compaixão.” Não irritação, não um até que enfim, não uma lista do quanto o filho tinha custado. Compaixão, daquelas que mexem com as entranhas.

“Correu.” Naquela cultura, um homem feito, o chefe de uma família, não corria. Era indigno. Ele teria de levantar a barra da roupa e mostrar as pernas diante da aldeia inteira. Correu mesmo assim. Ele mesmo diminuiu a distância.

“Abraçou-o e beijou-o.” Antes de uma palavra do discurso. Antes de qualquer promessa de fazer melhor. Antes de o filho ter chance de provar que estava sendo sincero. A acolhida veio primeiro.

Aqui é Jesus contando como Deus é

É fácil ler isso como uma história bonita sobre um pai generoso. Mas lembre com quem Jesus estava falando (Lucas 15:1–2): gente religiosa reclamando que ele recebia pecadores e comia com eles. Jesus contou essa história como resposta. Ele está dizendo: é assim que Deus é com quem está voltando para casa. É por isso que eu como com essas pessoas.

Então, se a sua imagem de Deus é a dos braços cruzados no portão, a pergunta não é se essa imagem parece verdadeira. A pergunta é se foi essa a imagem que Jesus deu. Não foi.

Por que importa qual imagem você carrega

A imagem que você carrega decide como você ora. Se Deus está esperando de braços cruzados, a oração vira uma apresentação: acertar as palavras, parecer arrependido o suficiente, provar que você está falando sério. E, como você nunca tem certeza de que fez bem o bastante, vai orando cada vez menos, até parar.

Se Deus é o Pai que correu, orar é simplesmente conversar com ele. Com honestidade, sem rodeios, muitas vezes. Você não precisa se apresentar bem para conquistar uma acolhida que já aconteceu.

“Aba”

O Novo Testamento dá aos que creem uma palavra para isso. Quando Paulo descreve o que o Espírito de Deus faz dentro de quem crê, ele diz que o Espírito nos leva a clamar “Aba, Pai” (Romanos 8:15), a palavra que uma criança usa para chamar o pai, como o nosso “papai”. Vamos voltar a esse versículo no próximo capítulo, porque ele é a chave de como Deus realmente muda uma pessoa. Por enquanto, repare que a primeira coisa que o Espírito faz não é corrigir o seu comportamento. É dar a você o nome certo para Deus.

Repita isto

Ele estava de olho na estrada.

Experimente esta semana

Fale com Deus como Pai todos os dias desta semana: de manhã, à noite, no ônibus, na hora que for. Seja breve e honesto. Comece cada oração com Pai, e depois simplesmente conte a ele o que é verdade. Não se apresente. Ele já correu.

No fim da semana, repare se a sua imagem dele mudou um pouco.

Vou orar a Deus como Pai todos os dias, a partir de ________________, e vou contar para ________________ o que percebi.

As citações das Escrituras são da Open Translation Bible (OTB), usada sob a licença CC BY-SA 4.0.

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